O MULTILATERALISMO E A UNIÃO EUROPÉIA
- Introdução
Ao questionar qual é o principal
objetivo da política multilateral, é possível chegar à conclusão de que,
objetivamente, ela se baseia na ideia de uma cooperação entre 3 ou mais estados
com objetivos comuns e que, por muitas vezes, esse tipo de relação acaba
impedindo diversos conflitos entre os mesmos. A importância desse impedimento
se fundamenta em um histórico de conflitos e guerras mundiais já ocorridas,
sendo possível considerar a baixa probabilidade desses acontecimentos caso o
multilateralismo já estivesse em prática no mundo desde séculos passados.
Para o seu funcionamento, o
multilateralismo cria a necessidade de uma instituição ou órgão mediador, haja
visto que possui o envolvimento de vários estados.
- A ONU e a UE
Atualmente, a Organização das Nações
Unidas (ONU) é a mais conhecida nesse provimento de cooperação, sendo criada
com o objetivo de impedir novos conflitos após a Segunda Guerra Mundial. A
União Européia (UE), junto à ONU, se emprenha cada vez mais no multilaterismo
frente às crises e ameaças mundiais.
Como expresso no site Consilium de Portugal, "A UE está
empenhada no multilateralismo, com uma Organização das Nações Unidas (ONU)
forte e eficiente no seu cerne. Este empenhamento assenta na convicção de que
para conseguir dar resposta às crises, desafios e ameaças a nível mundial, a
comunidade internacional necessita de um sistema multilateral eficaz, fundado
em regras e valores universais. Ao longo dos anos, a UE estabeleceu uma relação
sólida com a ONU. A cooperação tem lugar numa vasta gama de domínios abrangidos
pelos diferentes organismos da ONU. A UE também participa na Assembleia Geral anual
das Nações Unidas (AGNU)."
Atualmente, o multilateralismo é a
maior prioridade da UE na AGNU, buscando reforçá-lo no mundo cada vez mais.
Logo, se torna base e situa-se no centro de todo acordo da UE e outros estados,
seja na promocão da paz mundial ou então nas suas negociações comerciais.
- A Política Multilateral e a UE
Antes de qualquer prosseguimento, é
necessário citar o multilateralismo como uma consequência, de maneira
universal, do complexo crescimento do sistema internacional.
Sendo praxe da UE, assim como em
suas ações externas, a política multilateral também pode ser enxergada nas
relações entre os seus estados membros. Tal baseamento pode ser relavantado com
base na política do não uso da força militar para resolução de conflitos entre
os estados, conhecido como Projeto Monnetiano. A criação, planejamento e
prática do projeto tomam como base um único objetivo, fundamental e desde
sempre expresso, sendo a Política Comum de Segurança e Defesa buscada pela UE.
Segundo Ana Paula Brandão, em seu artigo no livro JANUS, "O PROJECTO
MONNETIANO nasceu para dar resposta a uma preocupação securitária vestefaliana
- a prevenção da conflitualidde entre Estados europeus - com recurso a um meio
pós-veste-faliano, não securitário (integração económica). A "Comunidade
de segurança"¹, que torna tangíveis a garantia e a previbilidade de os
Estados mebros não utilizarem a força militar para resolver os seus litígios,
consolidou-se ao longo do tempo, sem contudo dela resultar a integração na área
da segurança e defesa."
3.1.
A OSCE
A Organização para a Segurança e
Cooperação na Europa (OSCE), em que a UE, a Rússia e outros países da América
Central e do Norte fazem parte, é outra organização de extrema importância e
que deve ser citada ao discutir a prática do multilateralismo. Nela se objetiva
buscas como por exemplo a cooperação à segurança, garantia dos direitos humanos
e prevenção de conflitos. Mesmo com os seus objetivos e fundamentos
determinados, alguns citados no presente texto, atualmente a OSCE não tem
muitas avaliações satisfatórias quanto ao seu agir. De acordo com os escritos
de Ana Isabel Xavier, em um dos artigos presentes também no livro JANUS, "Ao
longo dos últimos anos a OSCE tem sofrido algumas críticas, desde logo na sua
responsabilidade principal de denúncia de violações de Direitos Humanos, sendo
acusada de “dois pesos e duas medidas” no tratamento desses mesmos casos. Mais
recentemente, os meios de comunicação social têm salientado a paralisação da
OSCE perante a tensão entre a Rússia e a Ucrânia, visto que a atividade dos
representantes da missão especial de observação da OSCE nas regiões de Donetsk
e Lugansk está suspensa devido a questões de segurança."
Entretanto, a OSCE possui uma
estrutura institucional bastante complexa e estruturada para a realização de
suas atividades e tomadas de decisões.
- O Empenho da UE
A União Européia tem trabalhado em
suas ações externas projetando valores que demonstram , cada vez mais, estarem
ligados aos direitos humanos e a democracia. Tais fatos acabam determinando
esses valores como de extrema relevância por gerar uma imagem mundialmente
positiva à UE e, ainda, contribuir para a internacionalização de uma política
multilateral e equilibrada. Entretanto, de acordo com portal Público, de
Portugal, "para a Europa, os jogos ainda não estão feitos. Dar
substância ao "multilateralismo efectivo" - a fórmula que escolheu
para representar a sua posição - exige muito mais. Exige uma ideia comum sobre
o sistema mundial, que a Europa não tem. Exige uma estratégia de segurança que
a União já adoptou (há dois anos) para esquecer no dia seguinte. Exige que, por
trás da face generosa e moderada com que hoje se apresenta em Nova Iorque, haja
algum músculo."
4.1.
A UE e
a China
A UE e a China estão buscando proteger o
multilateralismo diante das atuais políticas comerciais adotadas pelo
presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump. Em um encontro já
realizado no presente ano de 2018, os líderes europeus e chineses se
comprometeram em discutir assuntos voltados à proteção da política multilateral
face ao comércio e investimento. Tal preocupação referente ao assunto foi
gerada após as medidas adotadas pelo líder norte-americano. Todavia, o que se
indagam é o fato de que, consoantemente,
alguns governos europeus possuem uma mesma concepção que o governo
norte-americano em relação à China, ao se queixarem do díficil acesso a muitos
setores da economia chinesa.
Mesmo partilhando da mesma queixa
que os EUA, a UE busca não se desligar da política multilateral em suas açoes
externas.
"Nós partilhamos das mesmas preocupações que os
EUA. Mas há formas melhores e menos arriscadas de lidar com os problemas"
(Afirmação que, segundo o Diário de Notícias de Portugal, foi dada por
Mats Harborn, presidente da Câmara de Comércio da UE na China).
Diante dos fatos citados, o pacto
realizado entre a UE e a China, sobre o fortalecimento do multilateralismo e do
livre comércio, continua em prática e na busca de cada vez mais estabelecer uma
forte resistência conta o unilateralismo e o protecionismo comercial. De acordo
com a agência pública de notícias da China, Xinhua, a representante da UE para
Assuntos Estrangeiros e Conselho de Segurança, Federica Mogherini, disse que os
estados membros estão em conjunto com a China para promover o multilateralismo
e apoio ao livre comércio. E ainda, relatou o interesse da UE em melhorar a
comunicação e cooperação com a China.
Por fim, é preciso caracterizar o multilateralismo, em
um âmbito universal, como uma consequência do complexo crescimento do sistema
internacional, gerado pela necessidade de uma união e cooperação entre estados
com interesses comuns e que de certo modo, acaba por contribuir na prevenção de
conflitos.
Webgrafia:
https://www.consilium.europa.eu/pt/policies/unga/
https://www.publico.pt/2005/09/14/jornal/a-europa-e-os-dilemas-do-multilateralismo-efectivo-38689
https://www.dn.pt/lusa/interior/cimeira-china-ue-quer-proteger-multilateralismo-face-a-politicas-comerciais-de-trump-9597201.html
Bibliografia:
Brandão, A. e Xavier, A. (2015). Livro JANUS – Integração Regional e Multilateralismo. Edição 2015-2016. Lisboa.
https://www.consilium.europa.eu/pt/policies/unga/
https://www.publico.pt/2005/09/14/jornal/a-europa-e-os-dilemas-do-multilateralismo-efectivo-38689
https://www.dn.pt/lusa/interior/cimeira-china-ue-quer-proteger-multilateralismo-face-a-politicas-comerciais-de-trump-9597201.html
Bibliografia:
Brandão, A. e Xavier, A. (2015). Livro JANUS – Integração Regional e Multilateralismo. Edição 2015-2016. Lisboa.
Jean Henrique dos Santos Ferreira
Estudante Erasmus
Subturma 8, 4 ano TA
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